7 Hubs e Laboratórios de Inovação brasileiros que você precisa conhecer

Se inspire em alguns dos principais hubs de inovação do Brasil

Por Matheus Riga

Algar Telecom, BASF, Bradesco, BTG Pactual, Itaú Unibanco, Natura &Co e Unilever. Você sabe o que essas sete corporações possuem em comum? Embora atuem em segmentos distintos do mercado, todas essas organizações perceberam a necessidade de se conectar com startups para solucionar os seus desafios de negócios. Para isso, essas companhias implementaram a filosofia da Inovação Aberta, com um pilar estratégico focado em hubs e laboratórios de inovação.

Se engana quem pensa que a conexão com startups por meio dos hubs e laboratórios de inovação ocorre de um dia para o outro. O planejamento e implementação dessas iniciativas demandam tempo para surtirem efeito. São necessários alguns anos de investimento constante na criação de estruturas internas e na capacitação de colaboradores, assim como a otimização da estratégia também é uma tarefa recorrente nesse processo.

Antes de se tornar algo extremamente necessário, algumas corporações brasileiras saíram na frente e perceberam a importância de começarem a trabalhar com agentes externos na busca por novas soluções e tecnologias para os seus problemas de negócio. Confira um pouco da história e algumas curiosidades de sete dessas organizações, que desenvolveram os seus próprios hubs e laboratórios de inovação:

1. Algar Telecom

Depois de um momento turbulento, caracterizado por uma alta perda de clientes na base, a Algar Telecom decidiu que era a hora de mudar o rumo da empresa. Nesse contexto de reviravolta para a companhia surgiu o Brain, o laboratório de inovação da companhia de telecomunicações. A proposta era gerar ideias de negócio e criar novas linhas de receita para a companhia, desde que seguissem as orientações estratégicas da companhia.

A Diretora de Novos Serviços da Algar Telecom e Presidente do Brain, Zaima Milazzo, assumiu o desafio de desenhar, implementar e gerenciar essa nova iniciativa há quatro anos. “Quando me propuseram essa missão, eu demorei só 10 segundos para aceitar”, afirma. “Nascemos já como uma unidade totalmente ágil, mas com foco de ter um mindset de inovação e trabalhar com tecnologias disruptivas, colocando sempre o cliente no centro.”

Para que a iniciativa triunfasse, Zaima conta que a Algar precisou realizar profundas transformações na mentalidade da empresa, capacitando os colaboradores para trabalhar com essa visão de inovação. “A inovação só acontece se ela permear todas as áreas. Ela não pode ficar em uma bolha”, diz. Por meio de programas de intraempreendedorismo, de projetos de inovação internos e chamadas abertas para startups, o Brain conseguiu bater sua meta de receita para a corporação um ano antes do esperado.

2. BASF

O crescimento das startups do agronegócio, também chamadas de agtechs, foi o que impulsionou a BASF para o caminho da Inovação Aberta. Após muita pesquisa e análise do mercado, a corporação lançou, em 2016, o AgroStart, seu programa de aceleração para startups que estavam desenvolvendo soluções tecnológicas e digitais para o campo. “Naquele momento, os empreendedores estavam buscando oportunidades no mercado por meio de investimentos, e nós decidimos que iríamos atuar com eles”, conta o Digital Product & Innovation Manager da BASF Eduardo Menezes.

A criação do programa de aceleração foi apenas o início de um efeito transformador para a BASF. Depois do AgroStart, a corporação também criou uma iniciativa de intraempreendedorismo – para que colaboradores pudessem desenvolver seus próprios projetos – e um braço de Corporate Venture Capital, no qual ocorrem investimentos em startups do setor. “Conforme o tempo foi passando, aprendemos muito, enxergamos novas oportunidades no mercado e então fomos expandindo esse ecossistema de inovação”, afirma Menezes.

O sucesso das iniciativas de Inovação Aberta no Brasil foi tão grande que, em 2021, a BASF internacionalizou suas metodologias para outras sedes da corporação na América Latina. Agora, as operações do México, Colômbia e Argentina também estão desenvolvendo os seus projetos de inovação e gerando novas ideias de soluções para a companhia. Isso tudo, para Menezes, só foi possível com a transformação cultural da empresa, que focou na sensibilização dos colaboradores e da alta liderança durante o processo.

3. Bradesco

O Superintendente de Pesquisa e Inovação do Bradesco, Fernando Freitas, contou à ACE Cortex que o princípio do projeto de Inovação Aberta do Bradesco ocorreu em meados de 2014, quando executivos do banco perceberam uma oportunidade em se conectar com empreendedores e financiar startups. “Para desenhar um modelo que possibilitasse essa interação, fizemos um estudo global”, diz. “A partir daí que começamos a montar nossa estratégia de inovação com as empresas nascentes.”

A primeira forma que o Bradesco encontrou para se aproximar das startups foi por meio de uma chamada aberta, na qual os empreendedores tinham de apresentar para executivos do banco suas principais ideias. Desde então, o projeto ganhou nome, assumindo a forma de InovaBra e se desenvolveu para outras iniciativas, como o InovaBra Ventures  – fundo que já investiu mais de R$ 300 milhões em startups – e o InovaBra Habitat, um espaço físico dedicado para acolher essas empresas de base tecnológica.

O segredo para o sucesso e a longevidade dessas iniciativas de Inovação Aberta, para Freitas, foi o alinhamento entre a estratégia geral do Bradesco e todos os programas voltados para a inovação corporativa, incluindo aqueles com startups. “A estratégia e a inovação andam de mãos dadas”, diz. “Eu gosto da visão de que temos de ter um norte, definir onde queremos ir e depois dar autonomia para as equipes trabalharem em cima desse norte endereçado.”

4. BTG Pactual

O BTG Pactual tem no seu DNA o apoio ao empreendedorismo e foi exatamente esse fator que impulsionou o programa de Inovação Aberta da instituição financeira, como conta o Head do boostLAB, Frederico Pompeu. “Eu comecei a provocar todo mundo dentro da empresa e falar que tínhamos de nos aproximar dos empreendedores da nova economia desde o início”, conta. “É no começo da empresa que ele mais precisa de ajuda.”

Em meados de 2018, depois de muita análise do mercado, o BTG Pactual percebeu que havia uma oportunidade de ajudar empreendedores, oferecendo mentorias e acesso a toda rede de fornecedores da instituição. A partir dessa premissa de troca de experiências nasceu o boostLAB, programa da organização focado em desenvolver startups. “Uma vez que dedicamos tempo, esforços e recursos para fazer as coisas acontecerem, a iniciativa foi evoluindo naturalmente aqui no banco”, afirma Pompeu.

Além das mentorias, o BTG Pactual também desenvolveu uma série de outras iniciativas complementares à proposta de valor do boostLAB. Um desses desdobramentos foi a criação de um fundo de investimento corporativo de R$ 200 milhões, que já concedeu cheques para sete empresas. Além disso, o banco também criou o Business Hub, um conjunto de serviços financeiros focados em startups, como, por exemplo, concessão de crédito, antecipação de recebíveis e câmbio.

5. Itaú Unibanco

Partindo da percepção de que havia uma lacuna no mercado – quando o assunto era conectar grandes corporações às startups -, o Itaú Unibanco decidiu investir na criação de um hub de inovação. Idealizado em 2014 como um espaço físico para promover o relacionamento entre startups, grandes empresas, investidores e universidades, o Cubo ganhou forma apenas no ano seguinte, ocupando cinco andares de um prédio em São Paulo (SP).

A co-Head do Cubo Renata Zanuto diz que a intenção por trás do Cubo é trazer densidade às conexões do ecossistema de inovação brasileiro. “Em 2015, percebemos que tinham muitas iniciativas de apoio e suporte ao empreendedorismo, mas que ainda faltava algo que concentrasse mais essas ações, de termos um ‘mini Vale do Silício’ no Brasil”, diz. Hoje, o hub conta com 13 andares de um prédio, hospedando mais de 300 startups de 13 segmentos diferentes, além de contar com 20 corporações como mantenedoras do espaço.

Mas, o que o Itaú ganha com isso? Renata afirma que, com o Cubo, o banco consegue ficar mais antenado nas soluções existentes no mercado e quais delas podem complementar a operação da companhia. “Além de ser uma fonte das melhores soluções do mercado, o Cubo também possibilitou uma abertura de mindset para o Itaú, mudando muitos processos internos e até mesmo o dress code dos colaboradores.”

6. Natura&Co

A Natura&Co, conglomerado de marcas focadas no setor de beleza e bem-estar, enxergou na inovação uma forma de impulsionar o seu desenvolvimento de produtos: criando uma estrutura capaz de observar as principais tendências do mercado, assim como incorporar startups que estejam criando soluções voltadas para o setor. Assim nasceu o Natura&Co Innovation Lab entre o final de 2014 e o início de 2015.

No começo, o Innovation Lab funcionava como um squad dentro da corporação, voltado para o desenvolvimento de novas soluções. Com o tempo, a proposta foi evoluindo e, em 2017, nasceu o Natura Startups, uma iniciativa voltada para empreendedores que estão desenvolvendo soluções nas principais áreas de atuação da empresa. Hoje, esses dois núcleos trabalham em conjunto para desbloquear projetos com foco no crescimento da empresa no curto, médio e longo prazo.

Para Marina Almeida, Innovation & Corporate Venture Senior Manager da Natura&Co, um dos principais papéis do Innovation Lab é integrar todas as áreas da companhia em prol de uma visão de futuro. “Nós temos essa visão de ecossistema, já que somos um grupo repleto de marcas, atores e fluxos”, afirma. “O Innovation Lab é um acelerador de tudo isso, identificando em quais elos da cadeia devemos agir rapidamente e agregar valor para o consumidor.” 

7. Unilever

Em 2018, Alexandra Gomes foi contratada pela Unilever para gerenciar projetos digitais da corporação e acelerar iniciativas de transformação digital. Durante os seus primeiros meses, ela percebeu que a companhia precisava unificar as suas iniciativas de inovação. “Naquela época, tudo era feito de maneira isolada, com pouco método, com pouco conhecimento, e os recursos eram muito espalhados”, relembra. “Se estamos falando de inovação, não podemos fazer isso de maneira isolada.”

Após alguns anos de trabalho de integração das áreas e centralização dos processos de inovação, o laboratório de inovação da Unilever, o Garagem de Inovação, ganhou novos contornos e se fortaleceu internamente. Antes dessa reformulação, o espaço era usado esporadicamente pelos colaboradores para o desenvolvimento de projetos inovadores. Agora, é uma central de ideias, utilizada por membros das mais diversas áreas da companhia.

“Começamos um trabalho em um nível muito cultural, diferentemente de outras companhias”, afirma Alexandra. “Não é questão de ser melhor ou pior, é apenas uma história diferente.” Além da reestruturação do Garagem de Inovação, hoje, a companhia também tem em suas mãos o Lever Up, um programa voltado para aceleração de startups que tenham sinergia com os desafios da companhia.

Quer saber mais?

Se você ficou curioso para saber mais sobre o desafio de implementar uma estratégia de Inovação Aberta focada em hubs e laboratórios de inovação, fique tranquilo porque a ACE Cortex tem mais conteúdo para você.

Na websérie “Open Innovation: Hubs e Labs de Inovação”, a ACE Cortex reuniu sete executivos de alguns dos principais hubs de inovação do Brasil para comentar sobre boas práticas no desenvolvimento e execução de estratégias de Inovação Aberta. As conversas foram gravadas e estão disponíveis no YouTube da ACE.

Essas entrevistas também foram compiladas em um report exclusivo e gratuito sobre  Inovação Aberta e o desenvolvimento de hubs e laboratórios de inovação. Se você quer saber como construir a sua estratégia de inovação corporativa, leia o report “Inovação Aberta: Acertos e Erros de Sete dos Principais Hubs de Inovação do Brasil”, desenvolvido pela ACE Cortex. Clique aqui para acessar a página de download do material.

Ouça o podcast Growthaholics

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