Corporate Venture Capital: como preparar a cultura da minha empresa para trabalhar com startups?

Confira a importância de alinhar e modificar valores, processos e hábitos de colaboradores para acelerar a estratégia de Corporate Venture Capital

Por Bruna Lahtermaher, Corporate Venture Capital Intern na ACE Cortex

A maioria das corporações no mundo está passando por um período de transformação. Cada vez mais, avanços na tecnologia e mudanças no contexto socioeconômico exigem uma resposta adaptativa mais acelerada por parte das grandes empresas. Não é à toa que, segundo o ACE Innovation Survey, 52,8% das empresas brasileiras afirmaram que estão dentro de um mercado sofrendo disrupções.

Quando se trata de inovação, existem diversos caminhos para que corporações implementem essa estratégia. Por um lado, ela pode ser desenvolvida de dentro para fora, no que chamamos de Inovação Fechada, por meio de programas de pesquisa e desenvolvimento (P&D), da adoção de metodologias ágeis e da criação de iniciativas de intraempreendedorismo. 

Os três modelos de Inovação que podem ser implementados nas corporações

Da mesma forma, iniciativas de inovação de fora para dentro, também chamada de Inovação Aberta, estão cada vez mais presentes nas agendas das grandes empresas, principalmente na forma de conexão com startups. O nível desse relacionamento com as startups varia desde os níveis mais baixos de maturidade – contratação de startups como fornecedores para áreas de negócio – até os mais altos, passando por estratégias de go-to-market conjuntas, criação de joint-ventures (JVs) e até mesmo investimentos e aquisições

A importância da cultura corporativa

Independente da rota que a corporação escolher para se remodelar frente ao desafio da inovação, existe um passo que é comum e indispensável para que ela seja bem sucedida nesse processo: a adaptação da cultura corporativa. O motivo pelo qual as estratégias da Google, Microsoft, Tesla e Hubspot, por exemplo, dão mais resultado do que movimentos semelhantes de outros players é justamente a cultura diferenciada e voltada para a inovação. 

Um problema recorrente é que muitas vezes os diretores da empresa dizem querer inovar mas não sabem definir bem o porquê. É comum ouvir respostas de que é preciso inovar para acompanhar o mercado, por exemplo. No entanto, de nada adianta se a inovação não estiver alinhada aos objetivos de longo prazo da empresa e se os colaboradores não estiverem a par e atuando de acordo com essa mesma visão. É aí que entra a cultura organizacional, simbolizando os valores e práticas compartilhados por todos na empresa. 

A cultura organizacional é de suma importância, justamente porque a inovação é feita de pessoas, processos e governança

Da mesma forma, a partir do momento em que se estabelece um diálogo com as startups e, à medida que esse relacionamento evolui para níveis mais estratégicos, é preciso entender o modus operandi das mesmas para extrair o máximo de valor dessa conexão. Vale discutir o que é inegociável de ambos os lados e olhar, principalmente, para o design organizacional da companhia, ou seja, como são estruturados os processos, os cargos e o modelo de trabalho.

Um movimento de M&A, por exemplo, pode ser pensado com muita calma e as sinergias podem ser evidentes e, ainda assim, o resultado pode ser desastroso se não houver uma boa integração. Nesse sentido, é fundamental comparar os designs organizacionais e discernir os pontos que podem ser integrados daqueles que precisam manter um grau maior de autonomia, para garantir a liberdade do empreendedor e, ao mesmo tempo, contribuir com novas oportunidades. Sem esse cuidado, momentos de fricção podem surgir sem que haja um plano de ação.

Consolidando as mudanças culturais

A estratégia para consolidação da cultura da organização passa pela discussão dos princípios da empresa, assim como dos valores e práticas em sua operação. Além disso, passa pelo entendimento de quais áreas e processos estão mais preparados para lidar com startups, que costumam operar de forma muito mais acelerada e autônoma. Essa compreensão permite trabalhar a inovação de fora para dentro da melhor forma possível, enquanto abre espaço para a cultura de inovação interna da corporação.

Esse processo de construção da cultura pode ser diferente de empresa para empresa. A Netflix, por exemplo, segue o princípio de “rapid recovery” (recuperação rápida). Para eles, a atuação em um mercado altamente inventivo torna o cliché “é mais barato prevenir do que remediar” uma inverdade. Sua cultura é voltada para a ideia de que funcionários de alta performance erram menos e, ao mesmo tempo, resolvem problemas mais rapidamente. 

Na Netflix, o princípio de “rapid recovery” foca na resolução rápida de problemas

Sendo assim, a Netflix evita procedimentos e modelos em cascata, nos quais uma ação precisa da aprovação de múltiplas autoridades. Além disso, a empresa trabalha com a ideia de “processos bons” como a comunicação entre os colaboradores – por exemplo, dar visibilidade à equipe sobre a mudança em um código -, gastar o budget com prudência para evitar o envolvimento de outros departamentos e marcar reuniões de alinhamento com frequência.  

Quer mais conteúdo? Nós temos!

Se você ficou curioso para saber mais sobre o desafio de implementar uma estratégia de Inovação Aberta, fique tranquilo porque a ACE Cortex tem mais conteúdo para você.

Na websérie “Open Innovation: Hubs e Labs de Inovação”, a ACE Cortex reuniu sete executivos de alguns dos principais hubs de inovação do Brasil para comentar sobre boas práticas no desenvolvimento e execução de estratégias de Inovação Aberta. As conversas foram gravadas e estão disponíveis no YouTube da ACE.

Essas entrevistas também foram compiladas em um report exclusivo e gratuito sobre  Inovação Aberta e o desenvolvimento de hubs e laboratórios de inovação. Se você quer saber como construir a sua estratégia de inovação corporativa, leia o report “Inovação Aberta: Acertos e Erros de Sete dos Principais Hubs de Inovação do Brasil”, desenvolvido pela ACE Cortex. Clique aqui para acessar a página de download do material

Ouça a série de podcast “Fator Inovação”:

Episódio 1

Episódio 2

Episódio 3

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