Corporate Venture Capital: quais são as melhores práticas de governança para a sua empresa?

Como criar um conselho efetivo na startup investida pelo Corporate Venture Capital e preservar o espírito empreendedor na operação

Por Marco Antongiovanni, Innovation Consultant de CVC na ACE Cortex

Muito já foi escrito sobre investimentos em startups – existem diversos livros, cursos e vídeos sobre o processo de encontrar empreendedores e realizar a avaliação das melhores oportunidades. Porém, pouco se fala sobre o pós-investimento, que é a fase em que investidor e empreendedor trabalharão juntos para alavancar o negócio. O que é curioso, já que se trata de uma relação que durará anos e enfrentará os altos e baixos naturais do empreendedorismo. 

A governança corporativa é um assunto amplo. O Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) possui uma ferramenta para medir a qualidade da governança de startups, com 38 práticas recomendadas divididas em 4 pilares. São avaliados itens como: plano de sucessão; conformidade com a LGPD; e controles internos para apuração de resultados. Ao longo deste artigo iremos explorar especificamente a governança como a relação entre empreendedor e investidor depois do aporte, com foco no ponto de vista do Corporate Venture Capital (CVC)

Conselho: uma exigência comum

Talvez a exigência mais comum de qualquer investidor em startups, do ponto de vista da governança, é ter um assento no conselho. Isso não é diferente quando uma grande empresa realiza o investimento; afinal, ela quer passar toda sua expertise para o empreendedor, ao mesmo tempo em que fiscaliza seu desempenho. Mas, esse duplo papel, de aconselhar os empreendedores e ao mesmo tempo supervisioná-los, pode trazer dificuldades. 

Se o conselheiro for muito firme e detalhista, questionando à exaustão absolutamente tudo que os executivos trazem nas reuniões, ele vai minar o espírito empreendedor e gerar desconfiança. Então, as informações começarão a chegar ao conselheiro cada vez mais filtradas e menos úteis. Por outro lado, se for excessivamente apoiador, o conselho se torna uma mera “caixa de ressonância” para as ideias do CEO. Dessa forma, não existe a transferência de conhecimento do investidor para o empreendedor, tornando o conselho um órgão inútil, e abre-se espaço para falhas estratégicas e de controle de risco. 

Como estruturar um conselho efetivo

Para que o conselho consiga exercer suas atribuições de maneira efetiva, três pontos devem ser observados: 

1) A pessoa escolhida para representar a empresa no conselho deve ter tempo. Em empresas de capital aberto, é comum que o conselho se reúna apenas trimestralmente. No entanto, as mudanças em startups são muito mais rápidas, e reuniões semanais ou quinzenais são a norma. Além disso, deve ter tempo de ler e analisar os materiais para que as discussões sejam produtivas. Não se deve subestimar a dedicação necessária para ajudar uma startup a crescer;

2) A importância de desenvolver uma personalidade conciliadora, não combativa. O conselheiro deve sempre lembrar que está ajudando a pilotar “do banco de trás”, e são os executivos que estão no comando do dia a dia da empresa. Para a maior parte dos conselheiros, é difícil deixar de lado essa vontade de interferir na operação. Afinal, eles eram executivos até pouco tempo, ou em alguns casos ainda são. O conselheiro deve levar em conta a contradição do seu cargo, e ter um posicionamento firme, mas flexível;

3) O processo de funcionamento deve ser bem definido. Sandra Guerra, em seu livro “A Caixa Preta da Governança”, destaca que é preciso responder perguntas como:

  • Qual será o papel do conselho na startup? 
  • Qual será a frequência das reuniões? 
  • Quanto tempo devem durar as reuniões? 
  • Qual será o material prévio e qual a antecedência esperada para o envio? 

Considerações finais

Quando uma grande empresa realiza um investimento em uma startup, e um de seus executivos assume um lugar no conselho, isso pode se tornar uma vantagem competitiva. Os empreendedores contarão com todo o apoio, em conhecimento e recursos, de uma empresa já provada, que pode estar há décadas no mercado. Para que ele gere esse valor, é preciso estruturar o conselho de forma a garantir debate de questões estratégicas à exaustão, mas sem minar espírito empreendedor e sem prejudicar a velocidade das startups. 

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