Corporate Venture Capital: por que a sua empresa deve trabalhar com startups?

Entenda as razões pelas quais grandes empresas estão adotando o Corporate Venture Capital e criando relacionamento com startups

Por Cauã Raynaud

Sempre que falamos da conexão entre startups e corporações surge uma pulga atrás da orelha de executivos e da alta liderança das grandes organizações. Afinal, principalmente no Brasil, esses dois mundos ainda parecem muito distantes, tanto em termos operacionais, quanto em financeiros e de mentalidade. 

Sob qualquer ótica, há sempre a sensação de que o caminho para unir ambas as partes é turvo e repleto de obstáculos, dificultando a criação de uma relação saudável com o famoso “ganha-ganha”. Entretanto, ao analisarmos essa situação, percebe-se que o maior entrave entre corporações e startups não é um grande caminho que precisa ser desbravado, nem mesmo uma distância cultural.

“Quando você muda a maneira como olha para as coisas, as coisas que você olha mudam.” Essa frase, do escritor Wayne Dyer, é ótima para descrever o que as grandes corporações precisam fazer para conseguir trabalhar, conectar-se, investir e negociar cada vez mais com startups: simplesmente olhar para essas companhias de base tecnológica com uma perspectiva diferente e mais estratégica.

Mudança de mentalidade é fundamental

Muitas vezes as grandes corporações acham que a inovação precisa vir apenas de dentro, por meio de programas de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), de departamentos focados em inovação e criação de projetos internos. Essas iniciativas podem ser extremamente benéficas para as organizações, mas, por conta da burocracia, muitas vezes perdem o seu valor e força antes mesmo de darem os primeiros passos.

Em alguns momentos, as corporações até mesmo enxergam um caminho possível com startups em sua operação, mas observam essa relação de uma maneira equivocada. Na maioria das vezes, grandes organizações acham que toda a interação será baseada na negociação de mais de 50% do equity da pequena empresa para, assim, ser acionista majoritária e tomar as decisões. O que não se comprova como uma das táticas mais efetivas para impulsionar a Inovação Aberta.

A colaboração entre corporações e startups deve ser vista por um novo prisma: o da oportunidade de crescimento de ambos os negócios

No entanto, o investimento dessas empresas já estabelecidas em startups deveria ser visto com uma outro olhar: de que essa é uma das melhores maneiras delas entrarem em contato com o que há de mais inovador no mercado, além de identificar novas fontes de receita, observar tendências do seu setor de atuação, intensificar a adoção de novas tecnologias e ampliar sua capacidade de adentrar em novos segmentos do mercado.

Uma das formas de diversificar esse investimento e aumentar essa aproximação entre startups e corporações é o Corporate Venture Capital (CVC), uma das principais ferramentas de Inovação Aberta. Esse veículo tem sido cada vez mais adotado nas grandes organizações e visa gerar conexões, investimentos e até mesmo aquisições de startups por parte das corporações.

Como avaliar qual startup será boa para a sua organização

Primeiramente, é necessário focar no essencial. Quando falamos de CVC, os investimentos têm, em sua maioria, a priorização em startups que apresentam sinergia com o core business da corporação, gerando uma relevância intrínseca, justamente por ter uma conexão direta com as estratégias da organização para o futuro do negócio.

Afinal, diferente de um fundo de Venture Capital (VC), onde o principal objetivo do investidor é financeiro, no CVC essa relação está sendo construída com o objetivo de trazer o que há de mais inovador para perto da empresa, tendo o retorno financeiro futuro como uma consequência – especialistas estimam que os resultados financeiros podem aparecer entre 6 a 8 anos após os primeiros investimentos.

Após entender como essas startups podem ser relevantes para a organização, devemos priorizá-las em teses de inovação, que vão desde o Horizonte 1 (H1) – onde a inovação está mais perto do core business da empresa, os resultados com a parceria serão mais rápidos, porém menos “disruptivos” – até o  Horizonte 3 (H3), fase em que os projetos são de uma inovação mais distante do core da empresa, com resultados mais a longo prazo, porém mais “disruptivos”.

O objetivo da conexão em primeiro lugar

A partir dessa avaliação inicial, faz-se necessário entender qual o objetivo da conexão com cada uma das startups, observando qual o relacionamento que a corporação deseja criar com ela. Será apenas uma parceria estratégica ou uma aceleração de uma empresa em um estágio mais inicial? Será feito um investimento em uma empresa mais robusta ou uma aquisição? Essas são algumas perguntas importantes que devem ser feitas para se entender onde se quer chegar.

A conexão entre corporações e startups devem cumprir um objetivo. Cada empresa define qual é essa meta, a depender do seu planejamento estratégico

Pode parecer que são muitos pontos e variáveis para se analisar, mas, ao colocar tudo na ponta do lápis e começar a testar algumas dessas parcerias estratégicas, percebe-se que esse tipo de conexão com startups não é um monstro de sete cabeças. O retorno e os ganhos com um bom relacionamento entre grandes corporações e startups é muito maior do que o esforço gasto para o desenvolvimento dessas estruturas operacionais.

Além disso, esse esforço para se construir essas pontes faz parte de um contexto de mercado em que muitas soluções tecnológicas e inovações são lançadas rapidamente por startups, que conquistam clientes e posição no mercado com agilidade. Sendo assim, empresas que se posicionam e trabalham em conjunto com essas companhias disruptivas conseguem não só ficar a par do que está ocorrendo, como também conseguem ver o futuro sendo desenhado na frente de seus olhos, longe da concorrência.

Veja também:

Websérie “Open Innovation: Hubs e Labs de Inovação”

Ouça o podcast Growthaholics:

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