O que é Corporate Venture Capital (CVC)?

Saiba mais sobre o contexto de mercado e as boas práticas do Corporate Venture Capital

Por Amanda Coutinho

Na administração, a lei de Joy é o princípio de que “não importa quem você é, a maioria das pessoas mais inteligentes trabalha para outra pessoa”, atribuída ao cofundador da Sun Microsystems, Bill Joy. Trabalhando esse mesmo conceito, o executivo também argumenta que “é melhor criar uma ecologia que faça com que todas as pessoas mais inteligentes do mundo trabalhem em seu jardim para seus objetivos. Se você confiar apenas em seus próprios funcionários, nunca resolverá todas as necessidades de seus clientes.”

Hoje, como grande parte da inovação está enraizada na tecnologia, especialmente na digital, a Lei de Joy apresenta às grandes corporações um enigma duplo: como – e onde – procurar as melhores ideias? Como transformar essas ideias em negócios reais com fluxos de receita significativos?

Algumas encontraram a resposta para esse enigma na Inovação Aberta. Há algumas décadas, as empresas incorporam soluções externas em seu modelo de negócio por meio de diversos mecanismos, tais como aquisições, parcerias, joint ventures e licenciamento. Isso tudo estimulado pelo alto número de inovações que são lançadas no mercado, em um ritmo acelerado, aumentando a necessidade das companhias de acessar novas tecnologias e capacidades presentes no ambiente externo à sua organização.

O Corporate Venture Capital (CVC) é um desses modelos disponíveis na Inovação Aberta para que companhias possam incorporar e trabalhar soluções externas no seu próprio modelo de negócio e operação. O CVC consiste em uma estratégia de investimentos, realizados por grandes corporações, para comprar empresas inovadoras, das pequenas – como as startups, por exemplo – até as grandes, principalmente aquelas que estão dominando os seus segmentos de atuação.

Diante disso, pode-se afirmar que há uma nova dinâmica em jogo. As grandes corporações foram inspiradas e desafiadas por startups de tecnologia, que lançaram novos modelos de negócios, produtos e serviços durante a última década. Para acelerar suas próprias jornadas digitais, as grandes organizações têm empregado empreendimentos corporativos, que vão desde investir dentro do balanço patrimonial até a criação de um fundos dedicados para a realização dessas aquisições.

Qual é a diferença entre CVC e Venture Capital?

Com relação ao objetivo do investimento, investimentos corporativos em startups (CVC) tendem a ter objetivos estratégicos. No curto prazo, investe-se em parceiros que promovem um alinhamento mais próximo e relacionamentos mais estreitos com a empresa. No longo prazo, o investimento é mais estratégico. Já os fundos de Venture Capital (VC) institucionais investem para obter retornos financeiros. Eles administram um negócio baseado em retornos financeiros acima da média. 

Os fundos corporativos preferem investir em empresas em estágio inicial ou intermediário. O fluxo de negócios é muito mais acessível neste momento, e o acesso a uma base de clientes grande e estabelecida, juntamente com a credibilidade por meio da associação de marca, é mais valioso para uma startup. Isso cria um acordo mutuamente benéfico que permite que os CVCs façam melhor uso de seus pontos fortes no investimento. Já os VCs institucionais variam na preferência do estágio de investimento, desde a ideia até as empresas em estágio avançado. 

Os CVCs procuram uma ampla gama de resultados de um investimento. Embora os retornos financeiros sejam uma grande vantagem, eles não são a única oportunidade de saída. Um fundo corporativo também encontra valor em um aporte que se torna um alvo de aquisição ou um canal adicional para vendas de produtos da organização. Por outro lado, os VCs institucionais estão procurando um tipo de saída: um forte retorno financeiro. Uma meta de retorno anual de 20% em um portfólio implica dizer que investidores provavelmente tentarão bloquear uma venda ou IPO de uma empresa, a menos que o preço ofereça ao VC o retorno desejado.

O contexto atual do mercado de CVC

O investimento em Corporate Venture Capital está evoluindo da Quarta Onda iniciada no início dos anos 2000 para a atual Quinta Onda. Comumente definida como a “Era do Unicórnio”, a Quarta Onda começou após a bolha das pontocom, quando os CVCs começaram a crescer constantemente. Foi nessa onda que os principais players começaram a criar braços de capital de risco, incluindo o Google Tech Ventures em 2008. 

A Quinta Onda, na qual estamos agora, começa a ver os CVCs adicionarem mais profundidade estratégica ao seu investimento foco.  Os fundos corporativos atuam declaradamente como ferramentas de apoio à inovação das empresas-mãe e passam a montar teses de investimentos, modelos de governança e processos específicos. Inclusive, os ativos complementares das grandes organizações passam a entrar na proposta de valor para as companhias adquiridas.

A última década viu um tremendo crescimento da estratégia de CVC e, apenas em 2020, de acordo com CB Insights, foram investidos US$ 120 bilhões nesse modelo de Inovação Aberta. Embora tenhamos visto um ligeiro declínio no número total de negócios – 3.700 em 2019, contra 3.300 em 2020 -, a quantidade de capital investido aumentou  de US$ 75 bilhões em 2019  para US$ 120 bilhões em 2020, sinalizando o aumento do investimento tamanho por negócio.

Os cinco objetivos estratégicos do CVC

  1. Mover mais rápido que as capacidades internas em explorar novas tecnologias ou modelos de negócio;
  2. Preencher lacunas de capacidades por alavancar agilidade e soluções inovadoras das startups;
  3. Fomentar crescimento em mercados novos e adjacentes usando abordagem de portfólio por diversificar alocando vários pequenos investimentos;
  4. Aprender e se manter informado sobre tendências e tecnologias emergentes, engajando com startups e a comunidade de venture capital;
  5. Expandir a estratégia de M&A e gerir risco provendo alvos para aquisição antes de se comprometer completamente.

O sucesso estratégico para CVCs pode ser medido de várias maneiras, incluindo: número de negócios em áreas de foco estratégico originadas ou avaliadas, impacto financeiro no EBITDA ou no faturamento, resultado do investimento em uma startup, número de unidades de negócios envolvidas em pilotos ou relacionamentos comerciais com empresas do portfólio, conhecimento transferido do investimento inicial para o fundo CVC.

Veja também:

Compartilhe este conteúdo

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram